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A idade varia e nem todos a alcançam, mas chega o dia em que a longa intoxicação da juventude reflui. Os ânimos serenam, e a febre da razão retrocede. O mundo sempre foi assim ou se tornou agora, só pra mim, tão distinto do que parecia ser? A convivência com filhos (ou sobrinhos) pequenos e a presença de pais idosos (ou falecidos) é um fator de mudança: a percepção do tempo deixa de ser tão unilateral quanto na juventude. Fui criança, serei velho. Começa um balanço de saldos, danos e perspectivas. Paralelamente, o otimismo espontâneo diante do amanhã começa a ceder e dar lugar a uma ponta incômoda de apreensão. A voz da sobriedade se faz ouvir: “É difícil lutar contra o desejo impulsivo; o que quer que ele queira, ele adquirirá ao custo da alma” (Heráclito). Alguns despertam, a contragosto, para essa nova etapa da vida com um inconfundível sensação de ressaca na mente. “E agora, José?”
O valor do amanhã – Eduardo Gianetti p.99

 

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CRÔNICA

Saudade da coxa de catupiry

 

Humberto Werneck

Sou do tempo dos salgadinhos reconhecíveis.

Ilustração: ATTÍLIOVocê me entende: do tempo em que, diante da bandeja, a gente não tinha dúvidas — o que ali estava era croquete, coxinha, pastelzinho, empadinha, cigarrete, canapé, barquete ou pastel português. Sem chance de equívoco. Bem diferente, admita, dos dias de hoje, em que é preciso recorrer ao garçom para decifrar enigmas culinários, alguns deles tão complexos e empetecados que você se pergunta se não seriam, em vez de comida, peças decorativas, quem sabe umas ikebanas. Sim, vivemos a era em que salgadinho demanda apresentação. Deveria vir com legenda.

Nada contra a modernização do tira-gosto. Mas me dê um tempo para me adaptar. Outro dia, num casamento, estenderam na minha direção um artefato aparentemente comestível, algo como uma coxinha esférica, acoplada a um talo branco. Era, de fato, uma minicoxinha, creio que de frango — mas e o misterioso talo branco, grosso demais para ser palito? Na roda, um comensal mais ousado se aventurou a mastigá-lo, e aí se deu conta de que, naquele casamento chique, ele tinha na boca um vulgar pedaço de cana. Coxinha com cana — onde vamos parar? E o que fazer com o bagaço? Além de legenda, certos salgadinhos modernos demandam modo de usar.

Muita coisa surgiu na vida de meus maxilares tão fatigados desde a primeira dentição. Na minha infância belo-horizontina não tinha shiitake, rúcula nem kiwi, por exemplo. Se alguém dissesse mamão papaia, daria a impressão de estar se referindo a certa modalidade sexual — tanto quanto a também inexistente quiche correria o risco de soar como interjeição: quiche Maria! Em compensação, tinha Crush, drops Dulcora, açúcar-cândi, que depois sumiram do mapa.

Como sumiu o cajuzinho. Onde foi parar o cajuzinho? Você vai me dizer que não sei onde tem uma “dona” que faz. Coisas de Belo Horizonte: em alguma parte, em geral na periferia, tem sempre uma dona que faz o docinho, o salgadinho que desapareceu das vitrines. Não duvido de que nalgum recanto da capital haja uma dona do cajuzinho. Vai ver que é a mesma do bolinho de feijão.

Este foi outro que sumiu, o bolinho de feijão. O poeta Paulo Mendes Campos contou numa crônica que certa vez trouxe do Rio uma inglesa, exclusivamente para lhe aplicar o bolinho de feijão. Mas no bar de que fora frequentador, na Guajajaras, não havia um sequer. Como o poeta insistisse, o dono pôs um moleque para correr o Centro atrás de bolinho de feijão — e o saldo da expedição foram míseras três unidades, de três procedências. O escritor não estava inteirado da revolução por que passara o universo dos salgadinhos desde que ele deixou Belo Horizonte. Eis um assunto que deveria interessar aos estudiosos.

Não é o meu caso — sou mero (e voraz) consumidor, vivendo fora de Minas faz décadas —, mas arrisco uma hipótese. Houve um momento, ali pelo fim dos anos 70, começo dos 80, em que hordas de salgadinhos modernos fizeram avassaladora entrada, expulsando os tradicionais para a periferia, reduto das donas. O quartel-general da inovação pode ter sido a Torre Eiffel, que existiu na Goitacazes com a Espírito Santo. Ou foi a também extinta Doce Docê, na subida da Afonso Pena? O fato é que a certa altura a paisagem do salgadinho passou a ser dominada pela coxa de catupiry. Lembra? Enorme, obesa! E dava trabalho a quem a abocanhava: era você cravar os dentes e o catupiry derretido pelando vazava queixo abaixo. Valia por um almoço. A versão mais requisitada era a de camarão — e camarão taludo, pois mineiro, privado de mar, vai à forra nesse quesito.

Gente, que fim levou a coxa de catupiry? Tem por aí alguma dona que faz?

Humberto Werneck, mineiro de Belo Horizonte, é jornalista e escritor, autor de O Espalhador de Passarinhos & Outras Crônicas

 

Acredito que toda mulher pensa em casar e ser mãe. Algumas desistem, outras fingem desistir quando não conseguem. Mas que todas pensam, pensam. Aquelas que têm fé, acreditam e alcançam.

Divulgo aqui dois blogs que conheci recentemente e que realmente fazem diferença, não só na vida destas duas que muito admiro, como para seus leitores. Na minha modéstia opinião, eu recomendo e digo que vale a pena segui-los.

Parabéns Ritinha e Bi por essa linda iniciativa. Hoje são mulheres mais realizadas, felizes e em paz. Uma já é mãe, e que mãezona… pude conferir na prática. A outra, o sorriso diz tudo… casada, empresária, e acima de tudo, muito de bem com a vida.

Vida longa aos nossos blogs… pequenos “filhos” que criamos e alimentamos a cada dia.

http://fricotelacarote.blogspot.com/

http://www.rotinafashion.com/

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