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Dicionário Michaelis
i.ro.ni.a
sf (gr eironeía, pelo lat) 1 Ret Figura com que se diz o contrário do que as palavras significam. 2 Dito irônico. 3 Ar ou gesto irônico. 4 Zombaria insultuosa; sarcasmo: Ironia do destino.

Acredito que toda mulher pensa em casar e ser mãe. Algumas desistem, outras fingem desistir quando não conseguem. Mas que todas pensam, pensam. Aquelas que têm fé, acreditam e alcançam.

Divulgo aqui dois blogs que conheci recentemente e que realmente fazem diferença, não só na vida destas duas que muito admiro, como para seus leitores. Na minha modéstia opinião, eu recomendo e digo que vale a pena segui-los.

Parabéns Ritinha e Bi por essa linda iniciativa. Hoje são mulheres mais realizadas, felizes e em paz. Uma já é mãe, e que mãezona… pude conferir na prática. A outra, o sorriso diz tudo… casada, empresária, e acima de tudo, muito de bem com a vida.

Vida longa aos nossos blogs… pequenos “filhos” que criamos e alimentamos a cada dia.

http://fricotelacarote.blogspot.com/

http://www.rotinafashion.com/

“Por que Vocês São Pobres?”

Anamarcia Vaisencher | De São Paulo [Jornal Valor Econômico]

William T. Vollmann. Conrad do Brasil. 448 págs., R$ 49,90

Não faltam teorias, explicações e hipóteses sobre a pobreza, em artigos acadêmicos, livros, na imprensa. O que não se vê é o pobre, ele mesmo, tentando explicar por que é pobre, de onde vem essa condição. O jornalista, ensaista e premiado escritor americano William T. Vollmann (ganhou o National Book Award por sua novela “Europe Central”) resolveu abordar o problema dessa forma inquisitiva, em levantamento direto de opiniões junto aos despossuidos, ali onde eles vivem o seu desamparo. Seu livro, agora publicado no Brasil, saiu em edição original nos Estados Unidos em 2007.

Entre 1992 e 2005, Vollmann percorreu dezenas de países das Américas, Ásia e África para perguntar a homens e mulheres por que são pobres. As respostas que recolheu, naturalmente desvinculadas de qualquer traço de linguagem sociológica, política ou antropológica – embora possam servir às elucubrações dos estudiosos -, têm em comum a visão fatalista da situação em que as pessoas se encontram. Iemenitas, por exemplo, que são muçulmanos, não se queixam da pobreza, porque se o fizessem estariam se mostrando ingratos para com Alá. Mexicanos, católicos, culpam os capitalistas super-ricos por sua situação. Budistas veem a pobreza como castigo por terem sido “maus em vida passada”. E há quem simplesmente não se considera pobre, apesar de todas as evidências. Os entrevistados são retratados por Vollmann em mais de uma centena de fotos.

“Obras há [sobre pobreza], mas quantos autores abordam a questão da pobreza vitalícia e involuntária?”, pergunta Vollmann. Para ele, a exceção é John Steinbeck (1902-1968) e seu “Vinhas da Ira” (1939), exceção essa que se deve muito às origens humildes do escritor, associadas à “sua empatia generosa, visitas aos trabalhadores nômades do campo e sua disponibilidade para escrever e pensar”. Quanto a si mesmo, Vollmann não gostaria de experimentar a pobreza, que, imagina, lhe causaria “medo e desespero”. Ele informa que o ensaio não foi escrito para os pobres, nem para ninguém em especial. Os pobres, aliás, não são solidários entre si. Nesse aspecto, cita o novelista francês Louis-Ferdinand Céline (1894-1961): “Os pobres nunca, ou quase nunca, pedem explicações sobre o que precisam aguentar na vida. Odeiam-se uns aos outros e se contentam com isso”.

Nas viagens que empreendeu, Vollmann conviveu cerca de uma semana com cada um de seus personagens – bêbados, prostitutas, faxineiros, criminosos, mendigos – “pessoas pobres, mas não em perigo iminente de morrer”, estando, portanto, em condições de “tomar fôlego e conceituar sua pobreza”.

Em Klong Toey, na Tailândia, Sunee, 40 anos, constantemente bêbada, mora no barraco da mãe, 67 anos, 8 filhos. Uma habitação de madeira, vincada de frestas, mas equipada com dois ventiladores, filtro de água, TV, frigobar. Casada aos 17 anos, dos 5 filhos de Sunee, 3 cursavam a universidade em 2001 e, segundo ela, “nunca apareciam”. Outro trabalhava em banco; o caçula ainda morava em casa. Quanto à própria Sunee, trabalhava em uma empresa de limpeza clandestina. Se pudesse ter alguma coisa, o que seria? Resposta: dinheiro. Sunee se considerava uma pessoa pobre? Sim, disse. Por que alguns são pobres, outros ricos? “Somos budistas. Pessoas são ricas porque deram numa vida anterior. O que deram é devolvido nesta vida. O pobre foi mau na outra vida.” Vimonrat, filha de Sunee diz o mesmo.

Em 2002, na província de Shabwa, Iêmen, Vollmann se deparou com um pescador de atum que conseguia ganhar entre 2 mil e 3 mil rials (cerca de US$ 18) por dia. “Odiava americanos e judeus, mas deixemos isso de lado, pois este livro trata da pobreza e a pobreza nunca é política”, escreve Vollmann. “Não sou nem rico nem pobre, mas sou feliz”, afirmou o pescador. Da féria diária, precisava de mil a 1,5 mil rials para viver. O resto gastava com o barco. Mas, afinal, por que Alá fez uns ricos, outros pobres? “Alá age certo com a gente. Todos podemos arranjar trabalho se tivernos sorte com Alá” Em Shabwa, Vollmann foi informado de que sua pergunta deveria ser feita a Alá. Porque “Alá dá e Alá tira”.

Vollmann diz que pobreza não é mera privação, “por que alguém pode ter menos coisas do que eu e ser mais rico; pobreza é ser miserável, é mais uma experiência do que um estado econômico”. E como ele se sente em relação aos pobres? “Às vezes, tenho medo de pessoas pobres”, e esse medo “é parte do que me define como rico”. O conceito que Vollmann assim expressa aparece em outros termos no “dicionário” que faz parte do livro: ser “pobre” é “não ter e desejar o que eu tenho” e sentir-se “infeliz em sua própria normalidade”.

Divulgação

Obra induz leitores a responderem à pergunta que consta no título


Hoje o blog completa seu primeiro ano.

Mais precisamente, “DEFAZ 1 ANO”.

https://textosquegostariadeterescrito.wordpress.com/2009/09/15/desfaco-76-anos/

Vida longa ao blog!!!

Nota: este vídeo só contém o “clímax” da discussão. O restante da entrevista pode (e deve) ser visto em http://www.tvcultura.com.br/rodaviva/…

Hoje acordei com medo… sentimento que a alguns tempo não vinha tão à tona. Na verdade, fui dormir com ele. E os sonhos tornaram-se pesadelos. Foi uma noite mal dormida. Ao acordar, me deparei comigo mesmo. Pra que foram inventar o espelho? Tentei fugir. Impossível. Eu estava ali. Escovando os dentes, os cabelos. O silêncio, que antes me acalentava, naquele instante me destruía por dentro. Então olhei para dentro de mim e desfiz meu drama. Fui até a sala e liguei o som. O silêncio agora vem de dentro. A vida continua. Leio que “o essencial é invisível aos olhos”. Penso que “só se vê com o coração”. Ouço Renato Russo cantar “Os bons morrem jovens”. E você me vêem à cabeça. Tenho que pausar a música. Atendo sem saber quem é. Alguém me avisando o que eu já sabia: você partira. Só tive que lembrá-la que seu alegria e seu encanto permanecera. E meu medo se foi de vez. Pois agora, não tenho um anjo olhando por mim, tenho dois.

Os Bons Morrem Jovens

Legião Urbana

Composição: Renato Russo

É tão estranho
Os bons morrem jovens
Assim parece ser
Quando me lembro de você
Que acabou indo embora
Cedo demais

Quando eu lhe dizia
Me apaixono todo dia
É sempre a pessoa errada
Você sorriu e disse
Eu gosto de você também
Só que você foi embora…
Cedo demais!

Eu continuo aqui
Meu trabalho e meus amigos
E me lembro de você
Em dias assim
Dia de chuva
Dia de sol
E o que sinto não sei dizer…

Vai com os anjos
Vai em paz
Era assim todo dia de tarde
A descoberta da amizade
Até a próxima vez…

É tão estranho
Os bons morrem antes
Me lembro de você
E de tanta gente que se foi
Cedo demais!
E cedo demais…

Eu aprendi a ter
Tudo o que sempre quis
Só não aprendi a perder
E eu que tive um começo feliz…
Do resto não sei dizer

Lembro das tardes que passamos juntos
Não é sempre mais eu sei
Que você está bem agora
Só que neste mundo
O verão acabou.

Cedo demais!

Pode piorar sim, Tiririca

Por Roberto Pompeu de Toledo

Na semana passada teve início a edição 201 daquela hora da tristeza de ser brasileiro que é o horário político na televisão. Tal como se apresenta, ele não escapa de duas alternativas: a mistificação ou a indigência. Se a campanha é rica para cargo executivo e tem bons minutos na TV, não faltarão voos sobre as cidades e os campos, as florestas, os rios, as cachoeiras e os vastos horizontes, versão atualizada dos velhos filmes de Jean Manzon e do Amaral Neto Repórter como concordarão os últimos moicanos que ainda se lembram deles. A música apoteótica cabe o papel de reforçar o entusiasmo de quem já o possui ou despertá-lo nos que ainda resistem. Capturam-se no intervalo depoimentos de populares que, numa impressionante coincidência, se mostram todos, ricos e pobres, jovens e velhos, homens e mulheres, tomados de admiração pelo candidato.

Se a campanha é governista, desfilarão exuberantes plantações, obras públicas tocadas em ritmo febril, fábricas funcionando a todo o vapor, povo gozando de escandinavo nível de bem-estar. Se é de caráter nacional, serão mostrados em rápida sucessão o Cristo Redentor e os arranha-céus da Avenida Paulista, uma baiana e um gaúcho em seu cavalo. Tudo isso, claro, se fez presente na semana passada no programa inaugural de Dilma Rousself, e não foi por acaso: é a campanha mais rica, nacional, governista e com mais tempo na TV. O programa teve ainda mais: uma espetacular sequência em que a candidata, à beira do Arroio Chuí, dialoga com o presidente Lula em rondonia, à beira do Rio Madeira, os dois em posição de aplicar “um abração no nosso povo, um abração do tamanho do Brasil”, como disse Lula.
O programa de Dilma teve tudo e mais um pouco, para ilustrar a mistificação. Perdeu seu tempo quem procurou um projeto de governo, uma definição sobre tema controverso. Quanto à indigência, repete-se a conhecida parada macabra dos candidatos a deputado, os tipos suspeitos alternando-se com os sinistros, os desconhecidos com os exóticos. Tudo muito rápido, um empurrando o outro como quem enfrenta um corredor polonês, atropelando-se para dar um recado que na maior parte das vezes se resume à recitação de um nome e de um número. Pince quem for capaz um candidato que coincida com suas visões e aspirações nessa feira de desesperados.
Não é a existência em si do horário político que deve ser posta em causa. O acesso, bem ou mal igualitário, dos candidatos e dos partidos ao mais central e mais crucial dos meios de comunicação é um avança a ser preservado. O problema é o modelo vigente. Ele está longe de oferecer informação que possibilite escolhas claras e conscientes do eleitor. E o pior é que ele é o começo de tudo, no processo político.
E preciso repensá-lo, se se desejam eleições diferentes das que, ao fim e ao cabo, vão resultar nas instituições frouxas e da democracia de segunda ordem que temos hoje. Algumas regrinhas poderiam ajudar. Por exemplo, proibir, ou limitar, o uso de cenas ex temas.
Ou exigir, em um programa por semana, ou dois, ou quantos se arbitrarem, a presença ao vivo do candidato. Perde-se na espetaculosidade hollywoodiana que as campanhas ricas se acostumaram a ostentar, mas ganha-se na autenticidade. Medidas como essas tenderiam a corrigir o que os programas têm de mais vazio e, com desculpa pela expressão, alienante. De quebra, diminui-se o custo igualmente hollywoodiano das campanhas políticas brasileiras.
Mas o ideal mesmo, para produzir uma mudança “radical”, como diria o candidato Plínio de Arruda Sampaio, estrela inesperada da temporada, seria mudar o caráter do programa, que de “propaganda política” passaria a “informação política”. A propaganda já dispõe das muitas inserções que, ao longo do dia, são obrigatoriamente veiculadas na TV e no rádio. As duas edições diárias do programa de cinquenta minutos ofereceriam entrevistas com os candidatos, reportagens e debates produzidos e mediados por entidades neutras supervisionadas pela Justiça Eleitoral. Utopia? De realização distante como o Brasil Grande do programa de Dilma? Certamente. mas quem sabe, martelando se desde já, um dia pega?
Por enquanto ficamos com Tiririca. Tiririca é um cantor, ou ator, ou humorista (?!), ou seja lá o que for, que se apresenta como candidato a deputado federal em São Paulo. Ele diz, em seu comercial: “Que faz um deputado federal? Na realidade eu não sei. Mas vote em mim que eu te conto”. De bond, peruca e roupa que lembra um arlequim da roça, Tiririca termina com o slogan “Pior do que está não fica. Vote em Tiririca”. Fica sim, amigo Tiririca. Já ficou.
Revista Veja | 23 de agosto de 2010

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